DIANDRA VAAL NETO AMBICIONA TRANSFORMAR A ZYGO NA "PRÓXIMA DHL ANGOLANA”
Da frustração com entregas que falhavam à construção de uma plataforma de logística urbana, Diandra Vaal Neto quer transformar um problema recorrente dos negócios angolanos numa oportunidade empresarial. A ambição é clara: construir uma empresa logística com capacidade para ganhar escala e tornar-se uma referência angolana no sector.
Em Angola, o crescimento do comércio, do retalho e do empreendedorismo digital tem colocado uma pressão crescente sobre um dos elos mais críticos da cadeia de valor: a logística.
Foi precisamente nesse ponto de fricção que nasceu a Zygo Logtech, empresa fundada em 2025 e orientada para a logística urbana, última milha, armazenamento e gestão de entregas. A proposta é relativamente simples: permitir que empresas se concentrem em vender enquanto a Zygo assume parte relevante da operação logística.
Para Diandra Vaal Neto Simões, empreendedora e líder da Zygo, a empresa nasceu menos de uma oportunidade teórica e mais de uma experiência concreta.
Antes da Zygo, Diandra conta ter passado por negócios em que o produto estava pronto, havia procura e clientes, mas a operação de entrega acabava por comprometer a experiência final.
“Em Luanda, perder uma entrega é perder um cliente”, tem defendido a empresária, explicando a lógica por detrás da criação da empresa. A Zygo procura responder a esse problema através de uma operação própria, combinando motas, triciclos e carrinhas de acordo com o volume e a urgência das encomendas.
DE UMA DOR OPERACIONAL PARA UM NEGÓCIO DE LOGÍSTICA
A primeira entrega da Zygo aconteceu em Agosto de 2025. Um ano depois, a empresa afirma já ter ultrapassado os 1.200 envios realizados em Luanda, contando com uma frota própria e uma equipa estruturada em áreas como Operações, Comercial, Financeiro e Pessoas & Cultura.
A empresa também desenvolveu a ZMS, uma plataforma própria destinada ao acompanhamento e organização das operações logísticas, permitindo o rastreamento das entregas em tempo real.
A estratégia passa por construir uma operação que não dependa apenas do transporte físico de mercadorias, mas que incorpore tecnologia, gestão de rotas, armazenamento e visibilidade operacional.
É uma mudança importante de perspectiva: a Zygo não pretende posicionar-se apenas como uma empresa que “faz entregas”, mas como uma infraestrutura logística que pode ser integrada na operação dos seus clientes.
MAIS DO QUE ENTREGAS
Um dos movimentos recentes da empresa é a aposta no Zygo Hub, uma solução de armazenamento e fulfillment destinada sobretudo a empresas que enfrentam dificuldades de espaço, gestão de stock e preparação de encomendas.
O modelo permite que a Zygo receba a mercadoria, armazene os produtos, prepare as encomendas e faça a distribuição através da sua rede logística.
A lógica aproxima a empresa de um conceito mais amplo de logistics-as-a-service, no qual o cliente deixa de precisar de construir internamente toda a infraestrutura necessária para armazenar, preparar e entregar os seus produtos.
Para pequenas e médias empresas, este modelo pode representar uma vantagem relevante: transformar custos fixos e complexidade operacional em serviços contratados conforme a necessidade.
A AMBIÇÃO DE ESCALAR
A grande questão, entretanto, é se uma operação nascida em Luanda poderá transformar-se numa empresa de dimensão nacional e, posteriormente, numa referência regional.
É neste ponto que surge uma das ambições mais fortes associadas ao projecto: tornar a Zygo numa espécie de “DHL angolana”.
A comparação não deve ser interpretada como uma equivalência actual de dimensão, capacidade ou cobertura. A DHL é uma das maiores empresas globais de logística. Para a Zygo, a referência funciona sobretudo como benchmark de ambição: construir uma empresa angolana capaz de oferecer confiança, tecnologia, previsibilidade e escala num sector essencial para a economia.
O desafio, portanto, não está apenas em fazer mais entregas.
Está em criar processos, infraestrutura, tecnologia, capital humano e padrões operacionais capazes de sustentar milhares ou milhões de movimentações no futuro.
“CRESCER DEVAGAR E BEM”
A própria Diandra reconhece que crescimento e escala não podem acontecer à custa da qualidade operacional.
Entre as principais aprendizagens do primeiro ano, destaca precisamente a importância de crescer de forma disciplinada. A Zygo decidiu concentrar-se inicialmente em cargas de pequeno e médio porte e procurar excelência nesse segmento antes de acelerar a expansão.
Essa estratégia pode ser determinante num sector em que uma empresa pode crescer rapidamente em volume, mas perder dinheiro e reputação se não conseguir controlar custos, tempos de entrega, qualidade do serviço e experiência do cliente.
Para uma empresa logística, cada entrega representa mais do que uma encomenda: representa a promessa feita pelo cliente final.
A LOGÍSTICA COMO INFRAESTRUTURA ECONÓMICA
O potencial da Zygo está também ligado a uma transformação mais ampla da economia angolana.
À medida que empresas de retalho, restauração, saúde, comércio electrónico e outros sectores procuram vender através de canais digitais, a última milha torna-se parte integrante da experiência de compra.
Nesse cenário, a logística deixa de ser apenas uma função operacional e passa a ser uma componente estratégica do negócio.
A própria Zygo afirma já trabalhar com empresas de diferentes sectores e ter desenvolvido uma estrutura para responder a operações de entrega em Luanda.
A empresa também lançou o Meu Catálogo, uma solução que combina loja online e entrega integrada, reforçando a tentativa de construir um ecossistema em torno da logística e do comércio.
O PRÓXIMO TESTE
Depois da validação inicial do modelo, o próximo desafio será transformar uma operação ainda concentrada em Luanda numa plataforma capaz de crescer sem perder eficiência.
Será necessário aumentar volumes, conquistar clientes empresariais, ampliar a cobertura geográfica, investir em tecnologia, desenvolver infraestrutura de armazenamento e, sobretudo, manter níveis elevados de serviço.
A ambição de ser a “próxima DHL angolana” é grande. Mas talvez seja precisamente essa dimensão da ambição que torne a Zygo um projecto empresarial a acompanhar.
Porque, no fundo, a questão não é apenas quantas entregas a Zygo consegue fazer hoje.
É saber se uma empresa criada em Angola poderá construir a infraestrutura, a tecnologia e a confiança necessárias para se tornar uma das grandes referências logísticas do país.
A primeira entrega aconteceu em 2025. O verdadeiro teste será a escala.
Escrito por
Redação Clube De Valor